O NÃO DA INDONÉSIA À PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS AVANÇADOS

Utilização de óleo de palma para a produção de combustíveis aumenta com apoio de uma política inversa à que se está a praticar nos países ocidentais

A procura por combustíveis feitos com óleo de palma aumenta, enquanto o tempo seco restringe a produção desta matéria-prima.

Os governos da Indonésia e da Malásia estão a avançar com políticas de aumento de uso de óleo de palma em biodiesel, apesar da preocupação dos países ocidentais sobre o impacto ambiental provocado.

Os preços do óleo de palma estão a subir, porque a Indonésia, o maior produtor do mundo, prepara-se para aumentar o uso de biodiesel feito a partir do óleo de palma, enquanto a produção tem tido um crescimento lento, por causa do tempo seco.

Os preços de referência do óleo de palma, na Malásia, aumentaram quase um quinto desde o início do ano, em RM2,513 ($ 608) a tonelada, considerando à conversão atual, € 549 por tonelada, tendo aumentado quase um terço desde a baixa, em julho deste ano.

O óleo de palma tem sido muito usado em alimentação e cosmética. No entanto, tem outros usos, menos conhecidos, em biodiesel para transportes, aquecimento e eletricidade.

Os governos da Indonésia e da Malásia estão a avançar com estas políticas, apesar do aumento da preocupação dos países ocidentais sobre o impacto ambiental que esta matéria-prima provoca.

No ano passado, Jakarta decidiu o aumento de biodiesel à base de palma nos combustíveis convencionais, de 20 % para 30 %. Este ano o presidente da Indonésia disse que B30 – combustível com 30 % de biodiesel – será usado até janeiro do próximo ano, e o B50 até o final do ano 2020.

Dorab Mistry, analista e diretor da indiana Godrej Industries, disse na semana passada que o sentimento no mercado de óleo de palma foi “red hot”.

“O uso de biodiesel tornou-se a faísca para inflamar o rally”, acrescentando que o apoio de Widodo para B30 foi “estratégica”.

A Indonésia representa mais de metade da produção de óleo de palma global, seguida da Malásia, que é a segunda maior produtora. Os dois países representam cerca de 84 por cento da produção mundial, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

O uso de biodiesel à base de óleo de palma aumenta a procura pelo produto e, por outro lado, diminui a importação de combustível na Indonésia. “Estas metas são ambiciosas e terão um impacto significativo nos preços globais [óleo de palma], se for aprovada”, disse Edward Hugo, analista da VSA Capitais.

Empresas e governos ocidentais tornaram-se mais cautelosos sobre o uso de óleo de palma por causa dos danos ambientais. Com o aumento do foco na desflorestação causada pelo cultivo de óleo de palma, a UE decidiu que o uso do combustível para energia é insustentável, embora começando apenas em 2023, com a proibição definida para entrar em vigor em 2030. O que levou a tensões entre a UE e países que produzem óleo de palma.

No início deste ano, o primeiro-ministro da Malásia ofereceu-se para chegar a um acordo comercial, após o Brexit, desde que as restrições sobre as importações de óleo de palma impostas pela UE sejam menos exigentes.

Ambientalistas temem que a crescente procura por biodiesel à base de palma leve a mais desflorestação.