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Entrevista à EcoMovimento.

A APOREB dá início a um ciclo de entrevistas aos seus associados, e é com satisfação que partilha o resultado com todas as pessoas e entidades com quem se relaciona. O primeiro entrevistado é Hugo Rocha, gerente da empresa EcoMovimento.

1. A EcoMovimento é uma empresa jovem. Fale-nos do seu início e evolução.

A EcoMovimento é, desde 2011, um operador licenciado para a gestão de resíduos, particularmente do óleo alimentar usado (OAU), desenvolvendo a atividade em 3 grandes setores: HORECA, industrial e doméstico. Os dois primeiros setores mencionados representam sensivelmente 85% da nossa atividade e, geograficamente, atuamos desde Leiria até ao norte de Portugal, com maior incidência nos distritos de Braga e Porto.

O crescimento ao longo dos últimos 5 anos tem sido estável e otimista. Como referência, alcançamos um crescimento de 21% em 2020 e de 40% no ano de 2021, processando cerca de 1.200.000 litros OAU no ano transato.

A pandemia, para além de novos desafios trouxe novas oportunidades: em 2020 reforçamos a atividade no setor doméstico com o desenvolvimento exclusivo do Oleão GOTA: um ecoponto destinado ao depósito de OAU produzido no canal doméstico. Quase 1 ano e 6 meses depois, conseguimos criar condições de reciclagem de OAU a mais de 1.200.000 portugueses, onde a procura pelo Oleão GOTA tem superado as nossas expectativas. A intenção é alargar a nossa rede de oleões a todo o país, tornando acessível e universal a reciclagem deste resíduo.

2. Como se processa a recolha e tratamento de OAU pela EcoMovimento?

A logística do processo de recolha segue uma lógica muito semelhante independentemente dos setores em questão (HORECA/industrial Vs. doméstico): de forma cíclica e com uma periodicidade definida, mas flexível, é efetuada a recolha do OAU. No canal HORECA/Industrial substituímos as embalagens cheias por embalagens vazias e higienizadas. Nos oleões GOTA, recolhemos as garrafas e garrafões que estão no seu interior e higienizamos o oleão e a sua área envolvente.

Assim que recolhido pela nossa equipa de recolha, o OAU chega à EcoMovimento e é submetido a um processo físico (filtração e decantação), livre do uso de químicos, permitindo atingir um nível de qualidade ótimo. Maior parte dos OAU são encaminhados para a indústria portuguesa produtora de Biocombustível, em camiões cisterna.

3. Considera adequada a atual legislação que regulamenta a atividade de gestão de OAU? Como perspetiva o aparecimento da entidade gestora previsto no novo RGGR?

Acredito na necessidade de revisão da legislação aplicável aos OAU de forma a simplificar toda a operação de reciclagem deste resíduo. O facto de cada vez mais proprietários e empreendedores, dos setores HORECA e industrial, terem conhecimento da obrigatoriedade de tratar o OAU produzido nos seus estabelecimentos, parece mascarar um pouco a realidade e colocar em segundo plano a necessidade de tornar esta atividade mais clara e profissional possível. Considero muito importante atualizar e agilizar as diretrizes que os Operadores de Resíduos têm, ou pelo menos deviam, de cumprir.

O tema do aparecimento de uma entidade gestora para os OAU é delicada pelo facto de haver pouca informação sobre o seu possível desfecho. Posso, com confiança, afirmar que dispomos em Portugal de Operadores de Gestão de Resíduos capazes de dar resposta às necessidades de tratamento em qualquer um dos três setores. Espero que a entidade gestora represente uma oportunidade para profissionalizar o setor e que permita a implementação de eficazes redes de recolha de OAU que cheguem a todos os cidadãos portugueses.

4. O que espera para o futuro da atividade de gestão de OAU?

A resposta a esta questão acaba por ser um resumo do que foi abordado até aqui: a área de gestão de resíduos, particularmente do OAU, está a mudar e, acredito, para melhor – quer seja por existirem cada vez mais empresas licenciadas para a atividade, quer pela elevada adesão e disponibilidade dos cidadãos em tratar devidamente o OAU produzido em casa.
Contudo, existem dois grandes pontos que, na minha opinião, irão definir o futuro próximo desta atividade: a profissionalização da área como um todo (pessoas, empresas, processos logísticos e financeiros, etc.) e o que realmente trará a possível integração de uma entidade gestora para os OAU.

Em suma, na EcoMovimento acreditamos que reciclar é para todos!